Ser pai é…

Eu, Pai, Meu Pai. Meu filho e o nosso vôo.

Quando experimentou a paternidade, o talentoso fotógrafo Gustavo Zylbersztajn também realizou o sonho de viver uma temporada on the road, em um trailer, com a esposa e o filho.
Direto da Patagônia chilena, ele relata especialmente para a Vila Romana como a nova fase resgatou os laços de sua infância e deixou a relação entre os pais e filhos de sua família ainda mais fortes. Prepare-se para um vôo bonito…

Era uma vez, um menino que vivia em um apartamento de classe media na grande cidade de São Paulo. Ali no Campo Belo, passou toda sua infância e adolescência, rodeado de amigos do edifício Maison des France, porém o que mais gostava de fazer era aguardar os sábados de sol, onde teria um compromisso marcado e garantido: ir até o Parque do Ibirapuera decolar seus aeromodelos.
Gastão, o pai, passava semanas construindo os aviões, com uma prancha sobre a mesa da sala de jantar, construia, passo a passo, cada etapa do aeromodelo. Me lembro da alegria de abrir a porta da sala e ver aquele grande quebra-cabeças se transformando em um pequeno avião.
Esse menino, sou eu, Gustavo. Hoje, fotógrafo, amante de lugares inóspitos da natureza e pai do pequeno Benjamin.
Pode parecer uma simples brincadeira de pai e filho, construir um aeromodelo, mas na verdade isso me trouxe tantos aprendizados e tenho certeza de que isso ajudou a formar a pessoa que sou e grandes habilidades que desenvolvi. Aprender a esperar, respeitando o temo, desenvolver trabalhos manuais, tomar gosto com ferramentas.
Anos depois, após ter deixado de lado o aeromodelismo em troca das responsabilidades da vida, entrei sozinho na loja Aerobrás no Centro de São Paulo, e me entusiasmei em comprar alguns planadores de madeira.

Estavámos com um projeto de rodar a Patagônia Chilena em um trailer e pensava que poderia voltar no tempo construindo algum planador para meu filho nos dias de chuva.
Abrir a Caixa do “kit Segura Junior”, que custava cerca de R$ 50,00, me fez alçar um vôo tão longo. Resgatar uma memória que estava adormecida, e ao mesmo tempo, querer compartilhar, mesmo que pequeno, tudo isso ao meu filho, me fez sentir tão bem e ter a convicção de que esse simples gesto, um dia, ia fazer a diferença na vida dele.
Perguntava diariamente, o que posso fazer ao Benjamin para melhor educá-lo, distraí-lo, faze-lo feliz ? E constando tanta dedicação da super mammy Patrícia Beck, que precisou “pausar” a carreira de modelo para vestir o papel de mãe nessa primeira etapa de vida de nosso filho. Ela sempre diz que é uma das etapas mais importantes, onde os filhos, como uma esponja, absorvem tudo o que vêem, experimentam e vivenciam.


Sempre amamos viajar, e achava que no momento que encarasse o papel de
pai, íamos ter de mudar completamente nosso estilo de vida. Pesquisamos bastante e vimos que poderíamos nos aventurar com o pequeno, tanto que fez sua primeira viagem internacional já com 03 meses de ideade, e nunca mais parou!
Com tudo isso em nossas cabeças, resolvemos desenhar esse projeto tão especial, conhecendo lugares maravilhosos, apresentando tanta natureza, animais, cultura e pessoas tão diferentes ao nosso Ben. O fato de termos viajado por quase 06 meses com o trailer, nos fez viver de forma ainda mais intensa e mais unida. Se estivéssemos em São Paulo, com certeza não teria tido a oportunidade e a possibilidade em passer tanto tempo perto do meu filho.
Acreditamos que ele esteja à frente de outros bebês de mesma idade. Já reconhece os animais, imita os sons, aprendeu a escutar o silêncio e a ver a família unida.
Como pai, o que eu mais quero é poder transmitir a ele tudo o que eu aprendi, trazer em primeiro lugar valores como respeito, persistência, simplicidade, sabedoria e cuidado ao próximo.
Aprendi a sonhar, e sempre fui atrás de meus sonhos. Aqui estamos, batalhando um projeto fora do país, relacionando tudo o que eu trago em minha vida, que faz sentido, buscando o equilíbrio entre a vida rodeada pela natureza e a vida urbana super conectada e voraz.

Espero que possa temperar essa alquimia da vida de nosso filho, tão bem como meus pais puderam temperar a minha.
Adoro a cozinha e adoro viver. Viver intensamente. Que esse simples aeromodelo seja um dos laços de conexão entre as gerações de minha família.

Quando o Gustavo tinha uns 6 ou 7 anos e estava naquela idade de descobrir o Mundo, tudo interessava à ele, gostava muito de musica, animais, esportes, enfim se encantava por tudo. Um dia estávamos passando pelo Parque do Ibirapuera, quando escutei o ronco dos motores dos aeromodelos, foi quando me lembrei que quando era um pouco mais velho do que ele.
Eu tive uma fase de aeromodelista, e não pensei duas vezes, nos dirigimos ao local das pistas, bastou descermos do carro que os olhinhos do Guga brilharam e o interesse apareceu imediatamente, nos fomos para a pista e quando ele viu os aviões, todos enfileirados na ordem de partida para voar, o Guga se encantou e as perguntas não pararam, não tive dúvida e ali constatei que esse esporte tinha acabado de ganhar mais um adepto, daí para o primeiro avião foi um pulo. O Gustavo devia medir um pouco mais de 1,40 m, era o menor na pista, pilotando aviões maiores do que ele, mas a sua dedicação e interesse o fazia destacar entre os pilotos mais velhos, que não se negavam a ensina-lo e dar muitas dicas.
Houve um dia que uma Estação de Televisão foi fazer uma matéria na pista, e quem foi entrevistado, claro o Guga, com a sua simpatia deu detalhes e mostrou como as coisas funcionavam.
Hoje passados todos esses anos, tudo está tornando a acontecer, um novo piloto está surgindo, o seu Filho Ben, que está demonstrando um grande interesse pelo esporte, pois está sendo incentivado por seu Pai, um entusiasta do assunto, e aí a História continua …